segunda-feira, 18 de maio de 2015


Proibido acesso ao telhado,
Diz uma placa...
Do alto, uma chamada guerra,
A cada tiro contasse o corpo
A cada dor, um rosto

Uma lagarta faz seu caminho
Tranquilamente pelo chão onde piso
O Beija flor não apareceu hoje
Nem o meu sorriso.

A placa que diz proibido
É a que autoriza
Contasse corpos e contasse
Vida!
Paradoxal a Polis Moradia
A metralhadora, real,
Dolorosa, sentida,
Enseja sua cantoria...
A guerra, essa sim é fingida!

O peito arde,
Grita em chamas,
O Beija Flor não vem,
Vou a ele com a memória
Dou-lhe um Riso
A agonia precisa ser vendida (ou vencida)

A lagarta faz seu caminho
Dia a dia um pouquinho
Rumo ao horizonte vasto
Chamado utopia
O beija flor não veio
Mas mandou sua amiga
A lagarta, entre
O eco tiroteio, Para me ajudar
Nesta poesia.

Edgar de C. Santana
Rio de Janeiro, 13/05/2015

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Esta manhã no Rio Comprido


Não é um dia qualquer,
Apesar de tão comum
A notícia do jornal
A Mentira escondida
Sobre o time de futebol derrotado

A alma de alguns meninos 
Voam por ai
E dái? E de quem foi a lágrima mesmo?

Ah! Se cada lágrima pudesse a esmo
Brotar uma flor em nossas consciências
Quão diversos seriam nossos jardins...

Ah! Se o chorasse das mães
Pudesse mudar o mundo,
E quem sabe o menino moribundo
Não tivesse de comer balas para 
Acalentar sua fome de consumo
De tudo, de profundo de mudo defunto!

No Rio Comprido
Dia de dia das mães
Tiros de uma guerra inventada
Preencheram a vida

O Rio se fez comprido
Tanta a lágrima
Que não fora vista
De expressões emocionadas
E presenciadas pelos entes queridos

Não preciso abrir os jornais esta manhã
E Provavelmente, por um bom tempo
Não os lerei novamente

Mais uma vez eles fizeram seu jogo,
Na ânsia de mostrar Assassinatos
Esqueceram de revelar outros fatos...


Rio de Janeiro, 11/05/2015
Edgar de C.Santana 






sexta-feira, 8 de maio de 2015

DE VER BEIJA FLOR


Edgar de C. Santana
08/05/2015

Enquanto fumo meu cigarro
Voa o Beija Flor.
Algo queima,

Penso na amiga 
Que longe chora ou sorri
E nos trabalhadores  aqui perto...

Trabalha dores que se fazem cortantes
Nos corações quentes
Trabalha flores desabrochadas
Com gotas apaixonadas

Pelo jardim, o beijo de uma flor
Embriaga o bico do passarinho
Que tão cheio de poesia beija flores pelo caminho

O cigarro ainda queima em minha mão,
Penso no meu vício... Devo parar?
De encanto em canto respondo não!
Esse meu vício de ver beija flor
Ainda me leva em algum lugar... 



quarta-feira, 6 de maio de 2015

CINCO POEMAS SOBRE UMA IMAGEM



Edgar de C. Santana
Rio de Janeiro, 04/05/2015

I

Lance-me um verso numa imagem tua
Uma poesia qualquer que tenha uma rosa
Onde na mão esquerda
Haja um desfalecido coração.

Um punhal que pode nos atingir
Numa esquina, a qualquer hora,
Cravado num coração
A margem da mão direita

Todos temos três corações?

Pai, Filho, Espírito Santo
Líquido, Sólido, Gasoso
Amar, Amante, Amado
Calor, Luz, Combustão

É o coração propriedade
Ou tem ele propriedades?
Afinal, o que é minha imagem
Na sua caixa de Pandora?

Há um coração pulsante, peito aberto
Deite sobre ele, sinta bater,
Beije, espalhe sua gota de lágrima
E com ela brindemos um sorriso, um verso,
E um canto nosso em sussurro desafinado.

Temos todos um tripé?

Fale-me da imagem que perpassa sem piedade
Dei-me uma poesia que somente eu entenda
Assim, do meu jeito, e que eu saiba a cada dia
Que eu sou única e sua...

Minha a poesia,
Dou-me o direito de não entendê-la,
E mesmo ainda amá-la
Sem rima alguma.

E na escuridão, sozinha,
Eu serei teu ponto de luz

Na escuridão deserta
Ainda que sozinha

Meu corpo será seu


II

Na mão direita
Um coração desfalecido,
O mórbido que não expressa
Expressa!
O que se pode fazer?
Largá-lo ou carregá-lo?

Os homens na calçada 
São donos de corações pulsantes!

O que sofrera?
O que sorrira?
Quem poderá saber
Além da memória de quem o conheceu?
Perguntas... Não mais que perguntas
Substituem o lamentar

Pois mesmo morto
Quem poderia saber se a morte é uma dádiva
Ou uma fatalidade?

Quem poderia lamentar ou não lamentar?

Morto, porém carregado,
Será nosso o hábito
De carregarmos o que está morto?

Um pouco mais a frente
Um poeta dissera:

"Mesmo triste,
Não carregamos um passado morto
Na memória só há espaço ao vivo
Seja em logro ou riste"


Um coração é sempre um coração
Não importa o que vivera,
Onde esteja
Um pulsar o segura...



III

Na mão esquerda
Um punhal cravado,
Nele um coração ainda vivo

O grito rompe
O susto, abrem-se
As portas do desespero
Corra, vá, salve-o
Cuide-o, faça algo, dê o seu
Jeito, coloque-o em sua mão

Mas em sua mão não seria matá-lo?

Calma... tenha calma,
Ele está vivo não está?

Ele está! Representa!
Eis o punhal e sua necessidade
De perfurar

Se escolhe o coração morrer
Então aperta-o para si
Se escolhe viver
Vagarosamente arde em dor e
O expulsa
Mas se a prefere a dor que sente
E o impacto comum que gera
Nele o preserva

A quem vê, cabe esperar 
Em alguma esperança que nos sobra

Por hora, deixa como está!
Vislumbre-o,  ele que chama

Nem sempre ao que se ama
Deve-se a tudo cuidar...


IV

O peito aberto espera ou clama?
Das certezas desta
Pobre mente poeta
Trago muitas dúvidas

O peito aberto
Carregado de Vivacidade
Revela o coração
Em seus compassos rápidos

Invada-me, ou
Deixe-me invadir
Expande retrai
Aberto ao mundo
Exposto está

É uma peça de Museu?

Peito aberto... Ha coração
Mas também leite!
E a fome, seja qual for
Uma vez mais, 
Numa noite qualquer,
Não importa,
Pode ser acalentada

E o coração
Tanto pode seguir
O caminho até a mão direita
Ou apenas o inverso...
De uma plenitude que espera

Não importa o caminho
Peito aberto ele erra
Está vivo e na vida
A tudo clama ou espera


"Veja-me, deslumbre-se
Sorria, a felicidade busco
Não escondo minhas amarguras
Não temo chorar no ombro desconhecido
Ele me abriu o abraço embriagado
E neste minuto fora Amigo"

Um peito aberto 
Expõe um coração maduro
A mão esquerda segura
Um coração e um punhal cravado
Na direita um moribundo

V


Cada um em seu momento unidos
Uma travessia correnteza, imagens,
Quase sonhos de sonhos dormidos
Eis aos poucos o pisar na margens

Com que chegas a mim, amiga,
E aprofunda-me com a tua brisa
Mesmo serena ou triste, abriga
A chama que espalha e me batiza

Do teu vislumbre Imaginário
Sobrou-me, ainda perdido,
Uma poesia do meu relicário

De versos comuns, de poema batido
Desses que um qualquer faz ou diz
E, quem sabe, trazer cor a sorrisos gris
















sábado, 2 de maio de 2015

SONETO A 25 DE ABRIL


Rio de Janeiro, 02/05/2015
Edgar de C. Santana


O que o  fogo cria
O vento espalha

Então nos fizemos conhecidos
Naquele dia
Um terremoto se fazia
E ao mundo ecoavam gritos
Sobre a forma de Beijos singelos em palavras

Ou desesperos de um terremoto
Que deveras acontecia
Sobre a forma Tristeza milhares de pessoas
Unidas separadas palavras fatos e atos...

As asas da borboleta bateram sobre nós
Ou fomos nós que as fizemos mover?

Um abalo sísmico em Nepal
Nos acordes do meu violão
Forjados ao olhar filosofia

Não eram apenas a real
Dissonância do nosso coração
Rua que alguma cratera se abria

Não um qualquer dia
Tão pouco um mero raiar de sol
Magnitudes de uma nova flor
De amizade surgida

Onde as passadas do passado caracol
Tem mistério profundo
Ao fato e ao interior
Uma areia ou uma rachadura no mundo

Eis enfim o soneto não menos vagabundo;


Não há um tratado de versificar a dor
Nos colocamos entre espelhos
Em reflexos distintos do nosso interior
No eu aos outros abrir e fechar cílios

Quando no solo uma rachadura se abre
Uma rosa em nossos seios desperta
Lagrimas, e outras seca a tons de sabre
Acorde o verso, um ao outro se aperta

No instante rompante se faz vivo
O que no fim, choramos ou rimos
De tristeza e alegrias, nossos sismos,

No dia que me tive cativo,
Onde cheio de calmarias e atritos
Abriram e fecharam novos abismos








segunda-feira, 27 de abril de 2015

HOUVE UM TEMPO

25/04/2015

Houve um tempo
Que eu nem gritava
E nem escrevia
Houve um cego
Que pela Esquina
O que nascia
Era o que não buscava
E reprimia...

Um sopro do destino
Ou uma chama crepitante?

Queria ver o jardim
Mas até mesmo a pétala
Murcha desprezava
E a borboleta não vista
Tão triste por aí voava

O meu véu não caía
Enquanto não conseguia
O que tanto buscava

Eis em mim
O que a poesia tanto reveleva
E eu cego não lia

Que naqueles dias
Que eu nem gritava e nem escrevia

Houve um tempo
Que não sorria
E nem chorava.



E NA SI UM L..


27/04/2015



Lembro de nosso cheiro
Imaginando o que teríamos ao
Sopro toque em minha vela
Ainda que não dizes por falar poesia
Nítida em sua vontade de ser desconstruída
Eis em mim a fome que agora tenho de ti

Um outro pode ser qualquer coisa...

Não são palavras que dizes,
Porém: Filosofia!
Não são palavras
Mas poesia...