sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A lua rasga o dia
Querendo tomar
O lugar do sol
Ele sabe que ali
Ela só está perdida
Sem saber se vai
Ou se fica
Se quer ou não quer
Ele a deixa divina
Ela fica ali
Imperiosa
Enquanto ele
Se esconde
Atrás dos seus
Luminosos raios
Que queimam
Os olhares
sabe se deixares
A vista duas vezes ao dia
Ele respeita a ela
Por estar perdida
Tem outros olhares a vida

Edgar Carsan
Uns escolhem aproximação
Outros afastamento
Uns querem a solidão
Outros companheirismo

Eu quero correr
Ver o céu e a lua bonita
A rapidez que chega a nuvem
E tocar o seu desmanche
Meus dedos que tanto
Gostam de tocar
Hoje pegam o ar

Dizia o cantador:
“ a alma presa quer se soltar
Lutar sozinho
Qual o caminho de encontrar “

Dizia o poeta:
“ nos corações humanos a amizade”
Lembraste?

Dizia minha mãe:
Maria, não escreva tanto!
Eu respondia
Palas desiludida!

Feliz da alma que solta
Encontra amizade
No peito alheio
Feliz que como um beija flor
Ambos descansam e se alimentam
E não vão embora um do outro
Quando se afastam

Eu só podia dizer
Como poetisa
Que musa não
É o corpo humano

E a paixão que domina
É quando um carinho
E um cuidar
De uma amizade desperta

E tira uma lagrima desta donzela
Que hoje te escreve escondida
Palas desiludida

Maria Catarina

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Aqueles Segundos do teu Violão



São aqueles segundos Que te salvam a vida São aquelas horas Que te pedem uma saída São aqueles dias Que te contam anos Na passagem do Rio Na passada dos passos Águas que voltam E não voltam mais… Ah! Aquele dedo Que não toca mais A gota fria Ou o último toque No teu labio quente Mas que a gota fria Ou a gota quente Da tua boca Que lembra o Dedo que toca A corda do violão São aqueles segundos Que te salvam a vida...! São aquelas horas Que te pedem saída…!



Edgar Carsan
16/12/2015

Não deixou nem o cheiro

Não deixou nem o cheiro Nem os restos Mas deixou Onde pisou Onde tocou Se deixou O cheiro da manhã O cheiro da flor Da rosa da margarida Do beijo, da orquídea O cheiro, não importa, Este fica No enlaço dos dedos No emaranhado dos cabelos O cheiro, Não importa, Este fica!

Esse réu sabor de cheiro É o pecado guardado Dentro de mim Esse teu sabor de cheiro É um pedaço Que sobrou de mim Dentro de ti...



Edgar Carsan
17/12/2015

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Exclamações e Reticências

Sobre ventos e chamas
Vulcões voos tempestades
Pousos, ares, terras
Poesia, choros e risos luta

Tece a rima bruta
Visões de liberdade
Diversos tons de cores
Fomos Atores
Uns pensam
Artistas, prefiro

Cálido sorriso
Cálices do próprio peito
Embriagues, poesia
Todo dia é um dia, poesia.

A esperança vazia
Persistente, sempre
Não alcança seu conforto
Simplesmente.
A incógnita presente
Não é a mesma de outrora

Outros rumos
Outros barcos
O fim de tarde não visto
Não esconde por sua vez
O nascer da lua

O beija flor,
Enfim pousou
Já não o vejo mais
Uma pena uma pena
Olhos alçam voos
Que com asas apressadas
Não se contentam em pousar…

Falar de amar?
De estar no peito?
Não preciso,
Falei sobre eu te amo
Em cada verso deste poema

Inclusive do nosso corpo
Não despido
E da paixão louca
Na mira do cupido

Escrevi
Todos os dias
Ao não acontecido
Que não esconde,
Por sua vez,
O que deveras aconteceu

Olhar a lua, todo dia,
Vê-la bonita
Tirar fotografia
Não é o mesmo
De uma outra lida

Traz consigo algum sorriso
Algum nascer não visto
De caminhos escondidos

Ondas de dias atrás
Vem de um jeito melífluo

O silêncio da espera,
A próxima palavra 
A ser dita...
O silêncio initerrupto
O silêncio...

E pra não esquecer das reticências
Coloco aqui um desfecho natural
A incógnita se faz agora afinal
Quando não se imagina
Que de súbito
Pode vir trazendo consigo
Gritando gritando gritando
O pulsar do coração
Continuando continuando
Sobre a égide subjetiva
Da palavra que tanto
Buscamos objetivar
De onde vem, pra onde vai
Reticências
Gritando enfim
A incógnita cheia de exclamação !!!


Edgar Carsan
08/10/2015

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

NÃO ME QUEIRA

Quando não quiseres, não me olhe, não me fale, não me dê atenção, não preciso de sua atenção, nem do seu cuidado nem do seu carinho quando não me quiseres dar. Eu já dou a mim mesma, meu corpo, meus pensamentos, minha alma, meu coração. 
Ouça o que digo e cale, leia meus escritos e despreze-os, há mais gentileza neste ato, do que nas suas palavras bestas, do que no fingir amizade. Amizade! Laves tuas mão antes de querer tocá-la, a palavra amizade não é cuspe, ou um abraço opaco a ser dado... Despreze-me! Teu desprezo tem o gozo da liberdade, o sabor insaciável da transparência e um desembaraçar romântico da tal gota de orvalho! Despreze-me com toda a vontade que desejas, não me responda...
Se eu recito é por ser desafinada, se eu improviso é por não ter ritmo... Se quiseres questione minha ortografia, minha sintaxe, minha morfologia... Meu corpo, minha mente, meu coração, não são relicários de palavras lindas... Ao meu olhar, são berços de inspirações... Daquelas que vêm do amar que deveras temos entre todos nós...


Berlim
07/10/2015
Maria Catarina

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sem título

Tem certos dias que nos bate uma vontade de chorar, tem certos dias que uma tristeza se prolonga por uma vida, tem certos dias que poderíamos ter passado sem que houvesse acontecido, e este sentir-se inútil, impotente, este sentir-se frágil... Culpar-se por não ser feito de chumbo? Culpar-se por não ser a pessoa forte que tanto os homens querem que sejamos? Meu lugar fosse nu correndo em choro desesperado, meu lugar fosse com as faces voltadas para o desenho vazio das linhas do areia de uma praia, ou minha cor negra fosse vista em ossos, com o rosto escondido entre as pernas. É difícil, quando os sentimentos não cabem nas palavras, expressá-las, mas mesmo assim soltamos, mesmo enxergando a vida, que tantos querem falar, como algo tão interligado, tão globalizado, afinal, chora no norte, no centro, no sul, tribos e terras sobre o verdadeiro chumbo que traz a arma quente...    
Talvez eu seja um desses, talvez eu seja àquela menina que tanto queria sair do seu emprego e voar para os braços dos filhos, um refúgio para seus sentimentos, mas que só se pode continuar presa, atrás da tela do computador, afinal, era meio dia ainda do seu expediente que parecia uma eternidade, afinal havia muros do “não poder” no emprego... E um não pode, é o emprego! É Empresa! São as empresas, as pessoas o mundo... Confuso, tudo muito confuso, não poderia me expressar de modo confuso hoje, como se eu sentisse em mim mesmo onde eu deveria estar...
Talvez eu pudesse falar do casamento da fé e da ciência, mas olha a física aplicada a projéteis experimentados em corpos humanos... Quem tem fé que abaixe sua arma! Não me cabe uma poesia, nem palavras para contar, e mesmo que houvesse ainda o sentir-se inútil se preservaria.
Talvez fossemos todos nós, a humanidade inteira assim, e talvez, por algum minuto, eu desejasse estar no lugar do outro, deitado na areia, e dissesse pronto, passou, não terei de ver mais o amor, mas também não terei de ver o ódio. Não terei sorrisos, mas também não terei os olhos molhados, não ouvirei que sou forte, mas também não terei de ouvir que sou dramático... Quanto à esperança? Pandora abriu uma segunda vez a sua caixa de males, e ninguém soube... Ela está entre nós, hoje ela nos é possível, mesmo com toda essa inutilidade que sentimos, mesmo com essa dor que lateja no peito, ela está entre nós.