quinta-feira, 5 de maio de 2022

 Eu te amo feito fogo

Desse jeito começo esses versos

Feito fogo que queima escritos

Feito fogo eu te amo


Com fogo não brinca

Coisa que arde deixa aberto

Quem sabe o que sente

É o quem se queima


Com peso nas costas

Ou três na cama

O gozo quente

Por onde entra,

De repente rasga

Sabe se lá como se goza pra fora


Carnaval feito de abril passou

De casa nem saí, senti frio e tristeza

Faz parte

Toda a gente se veste tanto de fantasia

Um tempero a mais para a folia

Toda a gente se veste tanto de fantasia

Feita na pedra, na real, na vida

E nesse caso, me amo por não ser diferente


E por isso eu te amo

Feito fogo

Fantasia só é nossa,

E ao fogo o que é imposto!

Nem somos livres,

Mas é cada coisa que a gente se liberta


Só pra gente se lambuzar

desse triângulo que somos

Amanhã seremos quatro?


Desse jeito me pego,

No meio, me rasgo e esmoreço

Se eu morrer,

e não for de quatro

então que a gente viva

O que nos cabe nesse quarto... 


Carsan

05/05/2022



sábado, 17 de outubro de 2020

Genocídio sobre bichos

Racismos 

De mentalidades Capitalista

As matas lutam 

Por libertação

Por isso eles tanto a detestam

A odeiam

A mata resiste

Por séculos a sua exploração

Por séculos

Nas leis de terras

E amarras da sua propriedade

A mata tem consciência 

Coletiva

Coisa

Que os carrascos da igualdade

Os que a tomam e tomam povos

Sobre leis favorecidas

Não têm

Tão se fudendo para

A nossa fome a nossa sede a nossa moradia...

Nossa, dos povos e das matas

Racistas do Caralho


Que as feiras e os mercados sejam nossas

Dos povos e das matas

domingo, 13 de setembro de 2020

 A memória o nome dá, e talvez o sorriso que achava esquecido

Presente esteve

No teu cariz

Esse mesmo que vêm de heranças passadas


O que um traço

Uma linha 

Uma curva

Tem do tempo que não vivemos?


O que o teu sorriso

Traz no presente

Vivências de outras épocas?

Perguntas tão amplas

Mas que nas letras

Que escrevem a poesia

No teu nome

Faz o retrato 

Do que acontecemos

Em outras horas


Ah, o sorriso e o nome

Duas Chaves que abriram

Nosso futuro

Para que hoje

A gente reconte a nossa história


Carsan

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Mas o preconceito nos separa

 O preconceito divide, me separa, me cala, me omite, me persegue, me pune, me destrói... Hoje entendo o porquê dos medos, me escondia, evitando, esquivando... O preconceito!  Minha identidade continua abalada, em crise desde não sei quando. Minha identidade continua separada, em crise. Seu nome Europeu, mas qual teria sido o meu não Europeu? Não consigo! não encontro referência... Minha identidade está esfacelada!  Eu rio, sim, eu rio, afinal, meu riso luta...


Não me esqueço, também preciso que me cuidem... Sozinho eu não consigo, não despreze, não se esqueça, sozinho ninguém consegue... É que coletivamente é mais gostoso. A cigarra canta... Promete sol... Corpo suado... Meu riso luta...

Rio de Janeiro, 20/12/2019.

Mas o preconceito nos separa

 Como seria bom se aprendesse toda linguagem negada na formação juvenil! Eu usaria cores tais, te pintaria, te desenharia, versos tão metricamente perfeitos, músicas! Nossa! Eu teria criado canções lindas para ti, para todos os amores que vivi, para todos os amigos. Ah! se todo esse acesso fosse universal, ah! Se eu tivesse tido. Seria lindo. Seríamos um pouco iguais; Acesso negado! Senha! Privilégio! Eu não pertenço à uma Capital por que fazem da perifa uma sobra... uma puxadinho... Eu estou imaginando um viver! Não o que teria sido, mas, principalmente o que poderia ser! É completamente diferente do hoje vou fazer, afinal, para certas coisas se faz necessário viver... Saboreá-las. e eu não pude... O homem branco sim... Esse modelo que se apropria dos símbolos, os transfigura, e os funde em modelos de macho na superfície dos símbolos...

Mas o preconceito nos separa

 Sociedade de classes! Mas vivemos e nela buscamos ascender. Vamos às Universidades e eles as privatizam, Vamos longe aos empregos e eles engarrafam, subimos de cargos e eles fecham as empresas; mudam leis quando as exigimos; silenciam nossas vozes com metralhas e balas de borracha; a caridade de vocês esconde o extermínio das nossas sementes, da nossa forma de tentar viver; romantizam nossos sofrimentos...  Buscava a tal da ascensão social, mas então eu fui traído, a minha classe é dos traídos, dos invisibilizados, dos marginalizados... E você, com a sua cor e classe traiu...

O preconceito nos separa, nos divide, nos afasta, nos rege. O predomínio do homem branco capital, presente nas mentalidades esse macho tem seu lugar, um espaço urbano perto de tudo.

Mas o preconceito nos separa

 Mas o preconceito nos separa. O teu morro é um reduto, um lugar especial, com casas grandes, arejadas, bem muradas, garagem para mais de um carro, jardins lindos e floridos. É incomum sabe? Eu sou pobre, sempre fui pobre, nascido na baixada, mudando para zona oeste, andando pra lá e pra cá, sempre com aqueles sapatos furados. Vivi quase uma vida inteira para um dia saber o que era uma geleia de morango.

Eu realmente nunca soube conversar com quem tivesse uma situação economicamente boa: Viajaremos para onde? Compraremos o que? Um ar condicionado, Pneus novos para o carro, Roupa de frio, de calor, de natal e de ano novo, e nele, o que faremos? Que árvore bonita, que areia, que praia, que lugar no fim do Brasil, que cidade, que estado... Uma coisa é escolher outra é sonhar. Uma é imaginar, outra é poder. Não saberia conversar e decidir sobre...

Mas o preconceito nos separa

 Eu não sabia lhe convencer a me olhar, me cuidar...  A minha identidade sempre esteve em crise, sempre! a crise de identidade nunca se afastou... Identidade roubada! Como lhe mostrar seu preconceito, se nem você me veria como herdeiro da noite? O trem não é nada demais, mas sua bunda não doía por querer sentar...


Mas o preconceito nos separa. Eu sempre achei que o problema estava comigo. Eu nunca fui bonito demais, eu nunca trabalhei bem demais, eu nunca me esforcei bem demais, eu não escrevia bonito demais. Nessa conjuntura, negros jamais seriam bonitos demais, trabalhadores demais, escravizados e chamados de vagabundos e vagabundas. Desculpe, estou chorando, eu não escrevo bem demais, e não consigo colocar pra fora.

domingo, 6 de setembro de 2020

Mas o preconceito nos separa

 O corpo suado! Retorno por que a cigarra canta e me promete calor e sol.


Retorno por que esse esquisito diário digital serve como uma forma a mais de registro.

Retorno por que o mundo dá voltas, como parte do conjunto que nos mantém vivos! Esses dias, a escuridão misturava-se com as nuvens, com as estrelas, com uma lua cheia, e eu chorei; Lembrei da gente com alegria. Vi com meus próprios olhos que a terra não é Plana!

Retorno por que o preconceito nos afasta.

Mas o preconceito nos separa. Quase tudo que foi feito para a perifa eu tenho em mim, e eu sempre tive em mim o que ela me fizera.

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terça-feira, 19 de maio de 2020

É que bate essa coisa de não continuar...

O corpo é realmente algo que precisa ser descoberto, e nele, lacunas vazias, realmente o derrubam. É que as vezes não sinto que devo continuar, é uma preguiça forte, de tudo. Eu digo que teria mais força se tivesse isso ou aquilo, se as coisas acontecessem desse ou daquele jeito, mas no fundo, a preguiça de organizar bate com força.

Eu olho para as coisas, me cobro, me pedem atenção, e eu quero vomitá-las, todas elas. Elas pedem atenção, mas quando foi que aconteceu? Quando que eu desaprendi e me empreguicei de fazer todas as coisas.

Estou com sono, sempre com sono, mas quando deito não durmo. deve ser a anemia. o sangue ta bom, mas anemia não precisa de sangue bom, ela está até quando os sangue não está legal.
Ouço um áudio no whatsapp, outra história linda de amor terminada por coisas. Sempre tem uma anemia diante delas, alguma anemia que ficou guardada por tanto tempo, e a gente não vomita.

Isso de não continuar, não é contínuo, sabe? É que a gente acaba querendo tanta coisa, esse modelo de vida branco classe média alta que quer tudo pra si e faz o que quer com as coisas porque elas agem como querem com as coisas, mas essas coisas todas, elas não são coisas, são pessoas mais frágeis que cerâmica, e que se modelam das formas mais distintas  e belas possíveis; obra e artista de si própria, só que tomadas por coisas, modeladas para ser o que quiserem ser para uma pessoa branca classe média alta fazer uso própria e garantir-lhe os privilégios. Lembra do afago? daquela Presença no seu quarto? Na sua casa? No seu banheiro? Na sua cozinha?

Não é Contínuo... mas ter sido servo de gente classe média branca me tornou hoje anêmico. Meus ossos estão fracos, meus dentes estão apodrecidos, o direito de envelhecer-me foi arrancado para teu privilégio...

A minha anemia não é de hoje, eu sei quem roubou minhas forças, todo pobre preto deveria saber.... todo...  A classe média chama de rancor... tem como não ter? Procura saber aí o que aconteceu com uma criança preta na data de hoje. Eu digo que é Anemia, sem o ser.  Essa coisa de não querer continuar não vem de hoje, e eu entendo o porquê....

É que bate essa coisa de não continuar... E gostaria muito que a classe média branca não continuasse...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Ouvi dizer que amores e amizades a gente não encontra, reconhece!

Reconhecer em alguém um amor ou amizade não significa que a coisa vai acontecer. Mas de vez em quando é gostoso como a sua voz, o seu tom, movimenta. Meu calar em ouvi-la é um privilégio. Por que sem querer eu rio, e quem um dia me viu viver, sabe da importância do meu riso. É que de repente, sua dicção falha, e eu me vejo, e então, na sua falha

E fala, quando dá uma dica e diz: Vão ás feiras! antes, no meu pensamento eu sabia que você diria...

Quando não me olha e te vejo e escuto no teu gestos àquelas Músicas do belchior que nos são sensacionais: Ou seja todas! E a música mais triste, e revolucionária e que canta a consciência de classe canta meu olhar a te ver, sem que me veja, no reconhecer. e nos canta de qualquer jeito...

Essa terra que nos conecta!

Seus dedos que viram as páginas, te tocam, te elucidem e te confundem, e te levam a dialogá-los com a terra... eu te reconheço... No livro que empresta, e me dá um tempo para devolvê-lo e me pergunto: O que viveremos nesse semestre? ter um prazo para voltar a ti com páginas revolucionárias nas minhas mãos me é contagiante... até lá, viveremos...

Comer do teu pão, ouvi a beleza do teu canto desafinado enquanto pinto as paredes da cozinha, desajeitadamente, eu reconheço...

Te ouvir dizer que vai embora da Z.O, sensível a quem irá se afastar, entrega de casa, nova moradia no centro da cidade teu progresso nessa vida corrida na mesa de café da manhã, de almoço no chão da entrada, teus receios, convidar a todos como a uma forma de saber daqueles que não está sozinha, é carnaval no centro, eu reconheço.

Me protege saber que você existe, me reconforta, me desconstrói, obrigado por isso...

Nossos movimentos são distintos, extremos a se afastar, mas a terra, nela encontramos o lugar... Terra e moradia, nossos movimentos... eu reconheço..

Esses movimentos da vida apaixonantes, quantos sorrisos poderíamos tirar se nos reconhecermos mais profundamente? Eu reconheço

Ouvi dizer que amores e amizades a gente não encontra, reconhece... alguém escreveu desse jeito e minha consciência colocou algo mais

A mesma consciência que quer "gozar no teu céu, pode ser no teu inferno, viver a divina comédia humana onde nada eterno"

De início, a gente reconhece!
Carsan
01/02/2020

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Mas o preconceito nos separa

O corpo suado! Retorno por que a cigarra canta e me promete calor e sol.

Retorno por essa paixão que me explode, que não me esquece, que não me larga, e esse esquisito diário digital serve como uma forma a mais de registro.

Retorno por que o mundo dá voltas, como parte do conjunto que nos mantém vivos! Esses dias, a escuridão misturava-se com as nuvens, com as estrelas, com uma lua cheia, e eu chorei; nos lembrei com alegria. Vi com meus próprios olhos que a terra não é Plana!

Uma pena que o preconceito nos afastou. Uma pena que o racismo nos afastou. eu amo a cor branca. Sempre vesti branco, e ainda que rasgados, guardo com carinho os short's brancos que certo dia me destes. Eu acho linda a cor branca!

Mas o preconceito nos separa. Quase tudo que foi feito para a periferia eu tenho em mim, e eu sempre tive em mim que ela mesma fizera, e eu não sabia lhe convencer a me olhar, me cuidar...  A minha identidade sempre esteve em crise, sempre! a crise de identidade nunca se afastou... Identidade roubada! Como lhe mostrar seu preconceito, se nem você me veria como herdeiro da noite? O trem não é nada demais, a sua bunda não doía  por querer sentar...

Mas o preconceito nos separa, nos divide, é um ímpeto... Eu sempre achei que o problema estava comigo. Eu nunca fui bonito demais, eu nunca trabalhei bem demais, eu nunca me esforcei bem demais, eu não escrevia bonito demais. Nessa conjuntura, negros jamais seriam bonitos demais, trabalhadores demais, escravizados e chamados de vagabundos e vagabundas. Desculpe, estou chorando, eu não escrevo bem demais, e não consigo colocar pra fora.

Mas o preconceito nos separa. O teu morro é um reduto, um lugar especial, com casas grandes, arejadas, bem muradas, garagem para mais de um carro, jardins lindos e floridos. É incomum sabe? sua casa é incomum, e aquele lugar que estive é incomum. Eu sou pobre, sempre fui pobre, nascido na baixada, mudando para zona oeste, andando pra lá e pra cá, sempre com aqueles sapatos furados. Vivi quase uma vida inteira para um dia saber o que era uma geleia de morango.
Eu realmente nunca soube conversar com quem tivesse uma situação economicamente boa: Viajaremos para onde? Compraremos o que? Um ar condicionado, Pneus novos para o carro, Roupa de frio, de calor, de natal e de ano novo, e nele, o que faremos? que árvore bonita, que areia, que praia, que lugar no fim do brasil, que cidade, que estado... Uma coisa é escolher outra é sonhar. Uma é imaginar, outra é poder. Não saberia conversar e decidir sobre.

Precisamos acabar com sociedade de classes! Mas vivemos e nela buscamos ascender. Vamos às Universidades e eles as sucateiam, Vamos longe aos empregos e eles engarrafam, subimos de cargos e eles fecham as empresas; mudam leis quando ás exigimos; silenciam nossas vozes com metralhas e balas de borracha; a caridade de vocês escondem o extermínio das nossas sementes, da nossa forma de tentar viver; romantizam nossos sofrimentos...  Buscava a tal da ascensão social, mas então eu fui traído, a minha classe é dos traídos, dos invisibilizados, dos marginalizados... e você, com a sua cor e classe traiu...

O preconceito nos separa, nos divide, nos afasta, nos rege. o predomínio do macho de uma capital, presente nas mentalidades esse macho tem seu lugar, esse macho de um espaço urbano perto de tudo. Como seria bom se aprendesse toda linguagem musical a formação juvenil! Eu usaria cores tais, te pintaria, te desenharia, versos tão metricamente perfeitos, músicas! Nossa! Eu teria criado canções lindas para ti, para todos os amores que vivi, para todos os amigos. Ah! se todo esse acesso fosse universal, ah! Se eu tivesse tido. Seria lindo. seríamos um pouco iguais; Acesso negado! senha! Privilégio! eu não pertenço à uma Capital por que fazem da perifa uma sobra... uma puxadinho... Eu estou imaginando um viver! Não o que teria sido, mas, principalmente o que poderia ser! É completamente diferente do hoje vou fazer, afinal, para certas coisas se faz necessário viver... saboreá-las. e eu não pude... O macho sim... Esse modelo que se apropria dos símbolos, os transfigura, e os funde em modelos de macho na superfície dos símbolos...

O preconceito me divide, me separa, me cala, me omite, me persegue, me pune, me destrói... hoje entendo por que sempre vivi com medo, me escondia, evitando, me esquivando... o preconceito!  Minha identidade continua abalada, em crise desde não sei quando. Minha identidade continua separada, em crise. seu nome Europeu, mas qual teria sido o meu não Europeu? Não consigo, não encontro referência... Minha identidade está esfacelada!  Eu rio, sim, eu rio, afinal, meu riso luta... meu riso luta... meu riso luta... Eu realmente não sei ainda como estou vivendo... mas meu riso luta

Não me esqueço, também preciso que me cuidem... Sozinho eu não consigo, não despreze, não se esqueça, sozinho ninguém consegue... é que coletivamente é mais gostoso. A cigarra canta... promete sol... corpo suado... meu riso luta


Rio de Janeiro, 20/12/2019.
Carsan





terça-feira, 30 de outubro de 2018

Vá, levanta teu sorriso meu caro
Esse gostoso de se ver
Que rasga todas as amarguras
Mostrando o não raro
Brilho e paixão de viver
Diante de Armasduras
Feitas de palavras, de socos e toda
Essa agressividade

Vá, levante, Varre o chão,
O quintal precisa ser varrido
O Lixo compostado
Essa sua solitária gana
Sede e fome de fazer algo
Pelo Futuro

Ah, Mas teu sorriso hoje
Parece feito de luto
O que luta rasga esse mórbido
e Inexpressivo...

Mas tu estás sempre a sorrir
O espelho dos olhos não é
O mesmo de quem se vê
Não poderia ser

Então, levante teu sorriso
Ao seu redor, armaduras
Cognitivas precisam ser levantadas
Muralhas de afetos...

Não deixe que se desmanchem os afetos
Não deixe essa tristeza lhe abater
Eu vejo com amor brotarem
As sementes que plantastes
E as mudas que buscastes nas ruas
Os galhos pequeninos
Que se apresentaram a ti pela vida

Teu riso aprendeu os talentos
Da Poesia e do cuidar
Teu abraço é quente é querido
E é bem vindo
Teu riso muda realidades
Teu choro leva tuas mágoas
Quando se vê, meu querido amor
Choras em alegria.




Carsan
30/10/2018

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Então,
Ela uma vez disse
Que poesia é exagero
E o equilíbrio é o melhor

Enquanto eu ouvia gritos
Divididos
Riscos de bombas atômicas
No mundo

Uma voz muda implodida
Ganhando amplitude
Tenta se fazer ouvida
O Gás, forte, asfixia
E a borracha,
A mesma que apaga o erro,
A escrita,
Também faz a sua ferida

Esta poesia falaria sobre
Esperança, amor, solidariedade,
E ela fala ainda

Mudamente...
Muda

Eis o equilíbrio nos versos acima
São versos de amor
Meu amor...
Carsan
13/06/2017
Vou te escrever esses versos
Ser comum e vulgar
No reino das palavras repetidas
Dos risos e riscos que destes
A meia noite, na alvorada da vida,
Tua idílica juventude
De te repetir a imagem tua
Nos lugares de memória
Do meu corpo.
Carsan
17/09/2018
Deixa que eu vou lavar as louças
Tem umas flores em cima da pia
Umas sementes de alegria e gim
cheiro de manhã de sol e de mim
Quem sou eu?
E apareceu o laço do seu enigma
Luz na mente, estrela na testa
Lembrar os alvos que tu és alvo
Gargalhar abrindo a tua escotilha
Quem sou eu?


Carsan
12/10/2018
Um poema
Um encontro
Essa ida
Ao Horizonte
Que ainda não nos foi tirado
Um poema feito
De um cheiro que seduz
A cama bagunçada
De corpos nus espalhados
Não roubaram nosso horizonte
Ainda
E hoje, a gente já sabe
Que não pode ser roubado
Um poema trabalhado dia a dia
Na rede que formamos
E nos lançamos ao mar
Nos pescamos
E nos alimentamos

Carsan
19/10/2018

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Pergunto pela minha inocência
Meu coração está tão cheio
Que parece o popular
"encontrar agulha no palheiro"
Carsan
19/09/2018

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Gritos desesperados
Ajuda!
Falamos de justiça,
Em algum lugar as togas
São vestidas 
E sua negra cor jorra sangue
Nessa nossa Frágil Democracia
Na fantasia de Eldorado.
Juízes para quem?

A corte dos favorecidos
Sobrevoa a beleza de um cidade
Rio de Janeiro sua linda
Do alto dos seus contrastes
Quem não se encantaria
Na volta de Porto Seguro?

O canal 4, que não é besta,
Fala o Português da vontade colonial
Mares Bravios acalmados
Pela frota invísivel
Das imagens e dos cabos de Internet
Contextualizando o incontextualizável.

Eu quero pegar a estrada,
Ir para qualquer lugar bem longe
De um realidade que o meu 
Corpo não se encaixa.
A dor e o prazer não estão 
No mesmo lugar
O meu corpo não cabe
Nem aceita tal caixinha de sapato.

E o grito desesperado daquela mulher
Hoje não se ouve mais
Tomaram-lhe tudo
Incendiaram sua casa
Calaram seu grito com 
A surdez fingida,
Fingiram não
entender a dor que a ela cabia
A nossa está acima da terra
Em outro terreno, o corpo dela se encaixou
O meu, quer o alento
Que ao viver, o dela não encontrou...

Tomaram-lhe,
Arrancaram a sua dignidade
Pouco a pouco.
Aquele trabalhador
Hoje caminha com seus sapatos furados
Quem olha para os pés
Quando o dinheiro está a sua vista?
Meu corpo caminha descalço
Juntos aqueles pés cansados da sola gasta!

Chamas Históricas queimam minha alma
Meu espírito perde a lembrança de outrora
De quando fui índio, preto, faraó e serviçal
De quando fui bicho e Humano
"Demasiado humano"
Ruínas do meu corpo
Um esqueleto de restos de cinzas
Arde profundamente 
Amargamente no lábio que nem
Beija nem fala nem grita
Sussurra e geme e sente arder
E se esvai...  Então meu corpo
Que não se encaixa nessa realidade
Para longe de qualquer nacionalidade
Cabe na fumaça que se dissipa ao vento

Meu corpo, que nada vale,
Paga a costura das togas
Sob gritos desesperados
Errantes, oriundos
Meu corpo quer lavar o sangue
Que adorna os vestidos negros
Uma cor feita pra justiça
Não pode ter manchas lidas
Como enfeites de poder e status quo
Nossos corpos, nossas lágrimas,
Seja do que for, como for,
Não são "coisinhas qualquer"


Rio de Janeiro, 10/09/2018
Carsan