sábado, 12 de abril de 2014

Choro de Criança

A criança rala o pé
Abri logo berreiro
Apertando os dedos no chinelo

E eu,
Que deixei essa linguagem
Numa ilha qualquer
Vejo isso tudo com muita naturalidade
Ou com muita ansiedade

Lá longe, baixinho,
A lembrança se espreme
Goteja soluça e cai no esquecimento...

Minha memória irregular
Tropeça cai e levanta
E estranhamente cai levanta e tropeça

Ainda bem,
Não tem ordem e progresso
Nenhum nisso aqui

Por que quando a criança ralou o pé
Eu peguei no colo e chorei mais do que ela
Com seus gritos e com a "ladeira do curuzu"
Que tive que subir.

Nessa hora,
A gota de sangue
Era uma hemorragia!

Não tem ordem nenhuma nisso aqui
Até por que a ordem está
Onde não enxergamos

Não é em todo lugar que a ordem existe
Como quem os vê separadamente,

Assim, esqueci o português
Na cabeça, usei palavras qualquer sem coordenação
Derramando a ideia antes da escrita.

Quando cheguei em casa
Com a criança no colo
E sua bicicleta em minhas mão,

Tive fome,
Não é todo dia que isso acontece.

Edgar de C. Santana - 12/04/2014
Estávamos a beira do sono,
Estávamos quase dormindo em nossa solidão,
Estávamos individualmente só,
E assim corrompemos nossos sonhos.

Era quase um inferno
Uma  multidão ao redor do nada
Como se soubéssemos o que era o quase fim

Nos olhamos e buscamos uma saída
O preto o viado o branco e o pastor
E quem mais houvesse
Todas as portas são estreitas
Todas as vezes que estamos desesperados

Nossos amores quase nos abandonaram
Quando quase deixamos de ser cúmplices
Do mesmo crime que cometemos

Estávamos quase dormindo
Seríamos crianças uma vez mais
Se não parássemos à porta estreita do quase.






quarta-feira, 12 de março de 2014

Cuida da Pressão
Cuida da Glicose
Assim
Do começo do dia
Ao fim

Hora de dormir
O silêncio que faltou
Passa a existir

Nessa hora
A cabeça começa
A parir.

Edgar de C. Santana
12/03/2014

Outra insônia



Pra lá e cá
Treme cama
Desconforto

Levanta e escreve
Seu cachorro - Diz a insônia.

Aproveita agora
Que o dia inteiro
Tu morre no mato

OSTRA INSÔNIA

Tenho que dormir
Amanhã
Todo mundo deixa de amar

Para Servir
Para Aturar
Para sem empregar

E depois ainda tem
A tal da unografia.

Edgar de C. Santana
12/03/2014

Dona Maria
Reclama todo dia
Varre chão
lava louça
Penteia o cabelo

Seu João
Reclama todo dia
lava o banheiro
Agoa planta
E compra pão

Pobre
Que de tudo reclama
Onde deveria amar
Pobre é mais de uma vez

E no final do dia
Não termina cama

Termina assim.

Edgar de C.Santana
12/03/2014
Caro gentileza,
Que deixa numa gentil mesa
Farta de palavras

Onde leio
O poeta que não sou

Onde está insensibilidade
Fertilidade não está

Deixo assim uma Poesia
Ao poeta que não fui.

Edgar de C. Santana
12/03/2014

domingo, 2 de março de 2014

Só Mentira Só Inocência

Oremos por nossas omissões
Somos incapazes de aceitar a verdade
E assim amamos mentirosamente
Um amor cego em humanidade

Nada do que é verdadeiro pode ser crível
Até mesmo a verdade se perdeu no caminho
Subjugar qualquer um sob nossos pés
Ou nos remeter a partir sozinhos

Fingimos qualquer coisa
Para em piedade nos esconder
Não deles, nem do mundo
Mas nós mesmo até a hora de morrer.

O que nos importa agora
São apenas nossas anestesias
Não para mim,
Toda a dor que explode
Um sorriso em algum lugar brota

Até estas palavras podem ser violentas
Tudo no dia a dia transpira a violência
E como nesse paradoxo qualquer
Sem rima e canto como sempre
Pode não ter violência alguma nessas palavras
Pois não há violência alguma no dia a dia.

Só Mentiras
Só Inocência

Edgar de C. Santana
03/03/2014