quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Explode
Grita
Revida
Solta
Amarra
Amarga
Angustia

Mágoa
Revida
Grita
Explode
Agonia
Angustia

Explode
Grita
Chama
Revida
Abraça
Praça
Caminha

Voz
Cheiro
Memória
Explode

Sonha
Corra
Fuja
Volta
Aconchego
Acalento
Frio
Febre
Inflama
Cobertor

Suor
Alegria
Corpo
Calor
Liberdade
Explode
Grito
Abraço
Revida

domingo, 29 de julho de 2018

Nenhuma poesia
Soprou nos ouvidos
De quem amei
Sobrou poesias
No chão por onde errei
Cheguei a um desconhecido
Um abraço pedinte de corpo
Ou um beco talvez
Um lugar para onde a poesia vai
O corpo não sabe
O destino dos ventos
Os ventos não sabem
Que se destinam ao corpo.
E ambos libertos para
Se lançarem ao destino
Que quiserem
A um desconhecido,
Um abraço pedido
Amiga.
Fotografias quase apagadas
Estão guardadas no relicário
Da memória.
Genéricas poesias ao vento
Pedaços destas,
Pequenos fragmentos
Sobram
Nenhuma poesia
Soprou nos ouvidos
De quem amei
E nem sei
Se a estes ouvidos
Os restos da minha poesia
Ainda se destinam.
Carsan, 31/07/2018.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Antes eu escrevia poesias
Mas nem toda palavra
Da boca alheia
Germina
Queima
Então, folhas secas
De uma terra dura
Deixa ao vento
O verso esquecido
Nada mais se faz
Com a poesia
Um rapaz escolheu o lado do muro
Ao descer, perdeu
A vista dos Campos
Eu escrevia poesia
Pelas praças bares calçadas
A poesia do dia a dia eu queria
Eu tive
Eu conquistei
Eu escrevia poesia
Sobre os males do mundo e da alma
Escrevia diante do romantismo
Das paixões juvenis
Escrevia simbora sem saber o que queria
Roubando e plagiando versos
De poetas esquecidos
Eu era noite e meu corpo iluminava-te com um céu estrelas
Ou trazia-lhe nuvens
E lhes deixava sonhar ao som da chuva
Pobre poeta
A palavra dos lábios alheios
Não queimam os papéis
Mas como a brasa do nosso cigarro
Queima a poesia...
Deixa pra lá
Deixe-a esquecida
Fantasmas do passado
Controlaram quase tudo
Quase
Na seca e desértica terra não se brotam flores
Mas Cacto
Uns ele machuca
Outros mata sede
Da terra da inspiração
A poesia não é flor
Mas cacto
Nunca vi...
E alguém já viu alguma flor nascer do cacto?

segunda-feira, 23 de abril de 2018

De uma Rabequeira


Teu rosto tem
Gosto de cana doce
O cheiro dos cabelos
A Tamarineira,
Ou Laranjeira lima
Que eu brincava de moradia – Algumas
Horas dessa vida corrida.

Tua Saliva na minha boca
Um gole só,
Um tipo de mistura – Raiz de Valeriana
Ou licor de Jenipapo – Primeiras experiências lúdicas
De uma velha criança...

Essa minha boca salivando,
Ainda que escondidas nas linhas
Do teu vestido,
Estas mangas rosa
Devolve sabores da minha infância

E não há rosa que cresça sem luz
Sem feminismo luminoso
Que rompe, rasga, arde
Essa treva que apoderou-se
Ou quer apoderar-se das sementes
E das Roseiras.

Há um momento de encontro
Entre essa cachoeira dos teus olhos
E esse rio que me atravessa o corpo – Essa terra negra, fértil,
Que precisa e luta para se fazer úmida.
Há algo que floresça sem umidade?
Há terra seca que possa alimentar tantas sementes?


Não há como não deixar-se nu
No fluxo dessas águas,
Algo vai, mas o corpo – Esta
Festa “à lá Galeano” – Fica.

Então olho para o mais longe
Do céu que a vista traz...
Presente, a gigante Constelação
Escorpiana no céu
De outono...

Calmarias Valerianas
E embriaguês infantil
Descasar as caianas
Festejos de Abril
Espalhar sementes
Voar numa danceira
Assistir o poente
Correndo e brincando
Ao pé da Tamarineira

Brota uma poesia
E quase me conto
Entre tons, nuances e presenças
De uma Rabequeira...
Edgar Carsan
Rio de Janeiro, 15/04/2018

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Meus Moimentos


Lábios pingados
Ao sabor de café
Olhar em movimento
Para estáticas imagens
Caminho trilhando
Teus passos a imaginação Leva.
                                     
Uma nova poesia
Mistura o cheiro da aurora
Com o aroma
De uma inspiração antiga

Das feridas abertas
Em sua mão estendida,
Estas linhas – Negros caminhos de
Terra fértil – Flor faz nascida...

Fértil, a terra negra nomeia a poesia,
A estática terra imagem
Na imaginação se faz rompida,
Corta-se, semeia, brota
Engana o moimento
Teu estático olhar

Neste quadro – Meu corpo
Trilhas outras abertas – Exposição
Pingados de café – Nos lábios
A boca, tremida de sede,
Sacia-se em goles – Cheios de água


Ouço o estático
De tuas falas
Gota a Gota,
Forma-se fertilidade

Meus moimentos

Ouço teu silêncio
Forma-se o arranjo
Dos nossos sons.

Meus moimentos.

Edgar Carsan,
Rio de Janeiro, 09 de Abril de 2018.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Noite passada tive um sonho

    Noite passada sonhei que estávamos no rio ou no mar, tanto faz, não lembro direito. Estávamos nus eu e meus afetos e desafetos. Não havia uma alegria que não pudesse ser vivenciada, encontros que não conseguimos alcançar no dia a dia. Meus olhos, ainda pesados de sono, se abriram, eu sorri um sorriso pouco desperto. Eu estou despertando contra a minha vontade para uma realidade paralela. Preferia estar dormindo, mas não dá. continuar é difícil, uma pressão contrária, peso no peito, traumas na consciência. Tratar-se: Pondera! Parece não existir tratamento para os miseráveis enquanto eles forem úteis. Estou a despertar, quero continuar dormindo... quero dormir... há um lugar para mim enquanto durmo... por toda a vida, para sempre... dormir... Meus olhos ainda pesam de sono.. dormir.. estou despertando...


Rio de Janeiro, 09/11/2017.
Carsan

sexta-feira, 17 de março de 2017

Som correnteza
De um silêncio
Profundo...
Quanto silêncio é preciso
Para ouvir este som?
Removendo terra
Montanha
Entrando um
Dentro outro
Não ser tudo
E não ser nada
E ainda ser...

A fonte jorrando do
Par dos meus olhos
Não são como outras
A cachoeira não é a mesma
A cachoeira...
... Dos meus olhos se cumpriu
Como a uma vontade de gritar
Talvez dizer te amo
Ou então permanecer
Em silêncio...

Contagiado em poesia
Cantar a tudo
Olhar o rio a sua frente
E no seu lugar: árvores

Mas o som,
Rompendo o silêncio
Do rio faz ver meu rio
Eu "sô" rio
Hora tranquilo
Hora agressivo
Que irrompe pelas margens
Dos teus olhos

Cubro-me
De árvores
Faço-me floresta em volta
Galhos para aquecer-te
Minha fogueira...

Eu sou as águas
Cortando toda a cidade
Montanha pra baixo
Beijando os lábios do mar
Nele me deixando entrar
Ondas deixo-me ser

Então,
Uma barquinho de papel
Da criança que o fez navio
Levo embora
A criança alegre vendo-o ir
Eu, o horizonte a dentro
Que adentra o barquinho...

Edgar Carsan
Itatiaia, 18/03/2017