quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Um poema
Um encontro
Essa ida
Ao Horizonte
Que ainda não nos foi tirado
Um poema feito
De um cheiro que seduz
A cama bagunçada
De corpos nus espalhados
Não roubaram nosso horizonte
Ainda
E hoje, a gente já sabe
Que não pode ser roubado
Um poema trabalhado dia a dia
Na rede que formamos
E nos lançamos ao mar
Nos pescamos
E nos alimentamos

Carsan
19/10/2018

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Pergunto pela minha inocência
Meu coração está tão cheio
Que parece o popular
"encontrar agulha no palheiro"
Carsan
19/09/2018

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Gritos desesperados
Ajuda!
Falamos de justiça,
Em algum lugar as togas
São vestidas 
E sua negra cor jorra sangue
Nessa nossa Frágil Democracia
Na fantasia de Eldorado.
Juízes para quem?

A corte dos favorecidos
Sobrevoa a beleza de um cidade
Rio de Janeiro sua linda
Do alto dos seus contrastes
Quem não se encantaria
Na volta de Porto Seguro?

O canal 4, que não é besta,
Fala o Português da vontade colonial
Mares Bravios acalmados
Pela frota invísivel
Das imagens e dos cabos de Internet
Contextualizando o incontextualizável.

Eu quero pegar a estrada,
Ir para qualquer lugar bem longe
De um realidade que o meu 
Corpo não se encaixa.
A dor e o prazer não estão 
No mesmo lugar
O meu corpo não cabe
Nem aceita tal caixinha de sapato.

E o grito desesperado daquela mulher
Hoje não se ouve mais
Tomaram-lhe tudo
Incendiaram sua casa
Calaram seu grito com 
A surdez fingida,
Fingiram não
entender a dor que a ela cabia
A nossa está acima da terra
Em outro terreno, o corpo dela se encaixou
O meu, quer o alento
Que ao viver, o dela não encontrou...

Tomaram-lhe,
Arrancaram a sua dignidade
Pouco a pouco.
Aquele trabalhador
Hoje caminha com seus sapatos furados
Quem olha para os pés
Quando o dinheiro está a sua vista?
Meu corpo caminha descalço
Juntos aqueles pés cansados da sola gasta!

Chamas Históricas queimam minha alma
Meu espírito perde a lembrança de outrora
De quando fui índio, preto, faraó e serviçal
De quando fui bicho e Humano
"Demasiado humano"
Ruínas do meu corpo
Um esqueleto de restos de cinzas
Arde profundamente 
Amargamente no lábio que nem
Beija nem fala nem grita
Sussurra e geme e sente arder
E se esvai...  Então meu corpo
Que não se encaixa nessa realidade
Para longe de qualquer nacionalidade
Cabe na fumaça que se dissipa ao vento

Meu corpo, que nada vale,
Paga a costura das togas
Sob gritos desesperados
Errantes, oriundos
Meu corpo quer lavar o sangue
Que adorna os vestidos negros
Uma cor feita pra justiça
Não pode ter manchas lidas
Como enfeites de poder e status quo
Nossos corpos, nossas lágrimas,
Seja do que for, como for,
Não são "coisinhas qualquer"


Rio de Janeiro, 10/09/2018
Carsan




quarta-feira, 15 de agosto de 2018

E quem disse que a alma
Não quer vibrar?
E quem disse que o corpo
Não quer trabalhar?
Este meu corpo trabalha
O fardo no suor
Que escorre no arado
Um bordado pouco visto
Em sua própria vida de ser corpo

Ele sente febre, nem lembrava
Mais como era quando sua garganta
Inflamada, agonizava os passos
Que não volteavam a praça
Não se bebia mais limonada
Ou talvez a sua perda de apetite

Vou me esconder
Ele, ou ela, aparecem de 
vez enquando
Escrevem uma poesia invísível
E respondem que a alma quer vibrar

Imprevisível,
Regozijante
Bebem do Cálice e deleitam-se
Nas vielas tortas
Se deitam e do
Colchão uma fonte brota

Deleitam-se as almas
Aliviadas do veneno
E exploram seus corpos
Se esquecem que
Um dia foram tóxicos/intoxicados

Paro, eu reapareço,
Eu, ele, ela, nós, tanto faz
Eu vejo tanta alegria 
Na estética do corpo

O semblante não é a aparência
Minha querida Hanna.
Certa vez você me sussurrou
Mas são tão alegres
Tão felizes
Quadros repletos de vivacidade
Que carrego nas mãos

Eu gosto da poesia invisível
Dessa que luta por dar
A face o semblante 
Na aparência que se esconde

Eu sou o invisível
Que cala a sua amargura
E a sua solidão
Na ponta de um sorriso
Tão diferente daquele 
Porta retrato

O corpo trabalha
A alma quer vibrar.
Nove e quarenta da noite
Bateu a hora de
Terminar o trabalhado
Com os arquivos
Apagar todas as luzes
E fechar o Ifhep

Quem sabe outrora e continue
Essa poesia que tanto a alma
Quer vibrar, e os dedos trabalhar...
Explode
Grita
Revida
Solta
Amarra
Amarga
Angustia

Mágoa
Revida
Grita
Explode
Agonia
Angustia

Explode
Grita
Chama
Revida
Abraça
Praça
Caminha

Voz
Cheiro
Memória
Explode

Sonha
Corra
Fuja
Volta
Aconchego
Acalento
Frio
Febre
Inflama
Cobertor

Suor
Alegria
Corpo
Calor
Liberdade
Explode
Grito
Abraço
Revida

domingo, 29 de julho de 2018

Nenhuma poesia
Soprou nos ouvidos
De quem amei
Sobrou poesias
No chão por onde errei
Cheguei a um desconhecido
Um abraço pedinte de corpo
Ou um beco talvez
Um lugar para onde a poesia vai
O corpo não sabe
O destino dos ventos
Os ventos não sabem
Que se destinam ao corpo.
E ambos libertos para
Se lançarem ao destino
Que quiserem
A um desconhecido,
Um abraço pedido
Amiga.
Fotografias quase apagadas
Estão guardadas no relicário
Da memória.
Genéricas poesias ao vento
Pedaços destas,
Pequenos fragmentos
Sobram
Nenhuma poesia
Soprou nos ouvidos
De quem amei
E nem sei
Se a estes ouvidos
Os restos da minha poesia
Ainda se destinam.
Carsan, 31/07/2018.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Antes eu escrevia poesias
Mas nem toda palavra
Da boca alheia
Germina
Queima
Então, folhas secas
De uma terra dura
Deixa ao vento
O verso esquecido
Nada mais se faz
Com a poesia
Um rapaz escolheu o lado do muro
Ao descer, perdeu
A vista dos Campos
Eu escrevia poesia
Pelas praças bares calçadas
A poesia do dia a dia eu queria
Eu tive
Eu conquistei
Eu escrevia poesia
Sobre os males do mundo e da alma
Escrevia diante do romantismo
Das paixões juvenis
Escrevia simbora sem saber o que queria
Roubando e plagiando versos
De poetas esquecidos
Eu era noite e meu corpo iluminava-te com um céu estrelas
Ou trazia-lhe nuvens
E lhes deixava sonhar ao som da chuva
Pobre poeta
A palavra dos lábios alheios
Não queimam os papéis
Mas como a brasa do nosso cigarro
Queima a poesia...
Deixa pra lá
Deixe-a esquecida
Fantasmas do passado
Controlaram quase tudo
Quase
Na seca e desértica terra não se brotam flores
Mas Cacto
Uns ele machuca
Outros mata sede
Da terra da inspiração
A poesia não é flor
Mas cacto
Nunca vi...
E alguém já viu alguma flor nascer do cacto?