segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Esqueça a métrica
Eu desafinado
Sem rima réplica
Do inacabado


Outros beijos
De outros países
Aqui, almejos
Sonhos matizes

Se abrem a um mundo novo
Sem esperança
Deixa pra lá

Escrevo um outro
Um passo na dança
E outro no olhar

Um dia a dia amar

Na próxima
Tento um soneto
Quem sabe uma rima
Prometo!

Rio de Janeiro, 08/12/2014
Edgar de C.Santana




Surdos

Vai vai vai,
Não há vagas não há vagas não há vagas
Não precisa se esconder
Calma Calma Calma
A verdade nem machuca tanto assim
Você pode fazer coisas maravilhosas
E você vai querer que todo mundo saiba
Mas a noite, na solicitude
Por mais que você tente
A consciência pesa
Eu não sabia que você estava doente
Mas eu não vou curar seus males

Esconda as suas fotos
Nas gavetas do armário do coração amigo
Use meu tranquilizante
Superei seus crimes
Sem precisar de usar os joelhos
E crer numa Deidade evangélica espírita católica pagã

Esconda suas mentiras
Diga foda-se despreze
Tudo é muito simples

Mas acontece que alguma coisa
Formiga no estomago

Eu sei o que sou
Se me dói foda-se, esqueço e durmo
Mas uma hora volta
E não olharei mas em seus olhos
Esse vazio, eu não me arrependendo dele

Larguei uma vida na vida
Deixei-a solta
Desprendida,

Acreditei que pudesse fica tudo bem
Mas comigo
De verdade
Não dou a minima importância

Ele era um garoto sensível
Contou toda sua história
E disse-lhe tudo
Pena
Eu surda!

Rio de Janeiro, 08/12/2014
Edgar de C. Santana






sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Um amor a de chegar
E nos fazer levantar
Na manhã chuvosa
Revelando sua face gloriosa

Por hora, ficam lágrimas
Numa esperança ardente
De Auroras e pétalas
Para nosso peito cadente

Quem sabe
Quando a flor aparecer
Nos cale
Um pouco a dor
E nos faça rever

Que se o amor é
Universal como querem dizer,
Acima dos homens
Como almejamos
A ele não chegaremos
Porém
A nós ele virá

Por outro lado
Se das nossas relações ele cresce
Se tão importante assim ele é
Então veremos que não somos
Nada sem olhar alheio
E que Ele assim seja feito
De lágrimas
De cuidados
De risos
De pétalas

Rio de janeiro, 05/12/2014.

Edgar de C. Santana

domingo, 30 de novembro de 2014

Não quero os privilégios
Que queres para mim

Quero o sorriso de nossa face

Nego-lhes ser um objeto de exploração

Objeto de satisfação
Nossas faces!

Mastiguei seus sussurros

Calei meus versos
Calei minhas palavras
Calei-me o amor


Rio de Janeiro, 29/11/2014
Edgar de C. Santana

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Rimas
Com o que acontecia
Mas não tanto
Quanto a poesia
Que em ti nascia
Nasceu...
O meu riso não é falso
Uma singela ironia
Para uma alegria fingida
Para os que esconderam
A vista,
Se omitiram,
Na minha agonia.
O riso fingido
É apenas um riso
Para sua figura esquiva.
Não é somente a ti
Que dedico está poesia.
                            Rio de Janeiro,                           14/11/2014
                   Edgar de C. Santana

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Parte I

Despedaçaste-me como uma flor imunda
Calaste-me com tua arma suja
Devoraste-me com sua estupidez cruel
Repreenda-me quando quanto como
E onde quiseres

Deixaste-me largado humana
Deixaste-me moribundo frio
Deixaste-me fingir teu abrigo
Ou deixe-me apenas
Como sempre faz

Deixe nus que assim sobreviveremos
Não precisemos
De homens sedentos
Querendo ordem ao nosso caos

A força entrópica de minha morte
Está na tua voz minguante quando chama ordem

Essa força que fere e arranca
Onde até amor é violento

Rejeito tuas morais
Galgados nos milênios marcados por Moisés
Onde um cristo crucificado
Serve mais aos seus pastores
Do que ao um riso de amor libertado
Não me digam o triste ditado
Ordem e Progresso
Nem com atos militados
Forjados a indústria bélica

Choro mais pelo amor
De um filho negado
Ao rancor nas tuas línguas
Marcado


Não me volte ao passado
Nossos corações andam
Destruídos demais
Inclusive por uma historieta
Escrita em cinco atos

Nossos corações andam destruídos demais
E não reconstruiremos
Tampouco consertaremos
Ao novo busquemos!

O passado,
Cheio de repressões em ditatoriais
Guarda-se e marca-se de Deidades em Deidades
Em nenhuma delas fez deixar de sofrer
Corações despedaçados

Não me falem de eternidades
Ao que morreu certa vez voltou e disse:
  -Não há eternidade!
E depois morreu pela eternidade!
De eterna, já nos basta a morte!
Se dirá os que se dizem Majestades.

Eu estou vivo, eis o que me importa!
Não me traga teu conceito de humano bélico
Pois de sintético nossos braços
São alimentados
De transmissões de TV e ondas de rádio

Não me corrijam o português
Nem a rima
Como poesia: Sou fluxo...

Despedaça-me,
Sou uma pétala moribunda
Que grita e grita e grita
E não tem o peito acalentado
Que sonambulado cansado
Enriquece teu sorriso esboçado

Mas o teu sorriso, esboçado
Bate diante do meu, que luta
Não me perco
És tu que me perdes
Quando cansas deste amor
Violento por ti acostumado
Dele, nos libertemos!

Por que ao choro dos inocentes
O amor e a justiça são culpados
Quando chamados
Se mostram ausentes

Despedaça-me como fazes com flor
Larga-me como uma moribunda
Deixe-me dormir no sofá
Ou numa esquina longe da tua calçada
Onde podes me ver e saber que estou perto
E depois armado você...
Eu mal amado...

Disse-me  a Astrologia
Que eu era possessivo
Eis minha possessividade
Uma par de calçados furados!

Deixe-me longe,
Mas não terei filhos
Aos filhos alheios tenho caminhado
Assim eu faço

Tu tens filhos e não os ama, de fato
Enquanto lutamos por um mundo sustentado
De modo sustentável
Tu pensas numa herança que só a ti agrada
Ao teu filho
Aos herdeiros
Nem todo ouro poderá ser contado
De fato

Não preciso clamar piedade no templo Eldorado
Para saber que amanhã vem o amanhã
Não me interessam as chamas Kármicas

A mim, meus caros
Estarei só
Ciente
Conceito de Eldorado
Ao pobre inventado

A tristeza que me acompanha
Amanhã comigo acorda
Pelo dia comigo trabalha
E novamente me plagio
Abriu uma segunda vez
A caixa dos males Pandora
E viu-se nela vazio
Pois a esperança partiu mundo a fora

Amanhã continua a luta
A este vão execício de escrever poesia
Em nossos corações
O vazio um pouco preenchido
Não com esperança
Mas com labuta

Vislumbro sonhos
E ainda um amor e um filho
Sou apenas um trabalhador

Despedaçaste-me como uma flor
Esqueceste-me ao relento
Largaste-me de qualquer modo
Em qualquer esquina
Oh! Ausentes justiça e amor

Como Poesia: Sou fluxo...

Rio de Janeiro, 04/11/2014
Edgar de C. Santana






















segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Passadas Perdidas


Longas caminhadas
Ruas passam

Voz ecoa
Vira diário
Registro de amor
Amargura
Poesia

Vento gelado anuncia
Não entendo

Praças limpas
Distorcem das que vi dias atrás

Outras ruas
Outros passos perdidos
Eu inquieto
Para lá e para cá

Vou a algum lugar
Para onde voltar?

Não sei se para mim ou
Para um lar
Que não posso entrar

Sinto como se estivesse preso nas ruas
Olhando o lar pelos olhos da imaginação
Imaginando como está
O que já foi realizado

Na realização que me senti outrora
Mantenho-me na saudade
Vislumbrando o que virá

Estranha ansiedade de dormir e acordar

Perdida,
Poesia ainda mais perdida
Não deixa de ser assim
Poesia construída.

Edgar de C. Santana

15/07/2014