domingo, 24 de novembro de 2013

Todos Contra todos,
Nossos cantos rebeldes
Do Rico ao Pobre
Da revolta a paz

Lá pela ruas que eu ando é assim
Lá pelas ruas onde nos víamos
E tentávamos nos beijar sem sermos vivos

Todos contra todos
Uma cortina branca na Janela
Dança pelo vento.

A história anda esquecida
Mas as bandeiras permanecem lá!
Usos de cores, de amores de símbolos!


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Riso Luta

Cansado, sonolento,
Quero me embevecer
Do meu próprio olhar

Quero guardar a mim
E das suas caras, rir,
Para sua estupida necessidade de mentir

Meu riso irônico
É justamente por me manter vivo
Que escolhi a luta

Se não fosse isso, eu morreria,
Mas de sacanagem se morresse,
Rasgaria minha face

De orelha a orelha
E manter vivo
Irônico riso

Que não lhe pudesse então ser esquecido.

domingo, 13 de outubro de 2013

Vamos,
Temos coisas a levar ainda
Vamos vamos
Vem chegando a madrugada
Através das asas dos meus olhos

Dou-me por vencido
Mas não guardo sono
Tenho a esta hora da noite
Tantas vontades
Como se fosse uma última noite

É apenas um fim de noite

Não é uma vontade do que não realizei
mas uma vontade do que não pude realizar ao longo do dia

Vamos

O que estou fazendo?

Escrevendo versos,
Nos colocando neles...


Foi assim, vendo as máquinas nas fábricas de corpos, assistindo pela tv a produção em escala de enlatados de cérebros, que me tornei hermético, não por uma necessidade, mas por uma escolha social; foi assim que fomos a Alemanha, antes do Hitler... e vi alguma crianças brasileiras dizendo: alemanhã alemanhã, elas estavam tão sujas e eram tão mendigas...
foi assim que vi o prazer que dá os homens serem enfurnados em seus casulos, foi assim que vi o prazer que quem acredita em Deuses de outros planetas, e assim, tive o privilégio de não precisar de assistir, alguns homens cantando e escondendo dos versos.
Escolho o que quero, dou-lhe o vão exercício dos juízos de valor, não acredito na paz, não precisei de nascer na época tal, para viver duas guerras mundiais... num dito muito comum, sou um anão nos ombros de um gigante... sou um anão!
Não me venha dizer em calmaria, não me venha falar de paz, de caridade, a minha melancolia reflete tudo isto em direção a o sol, para ouvir com um pouco mais de maldade a simplicidade com que se escuta um samba, e como os dedos nos acordes do violão sambam... penso que aí, nascem outros dedos, novos dedos, em cada tom... é preciso ter muito maldade, um inferno de maldade (e que palavra mais ridícula esta, e como a uso, e como quero afastá-la de mim) para se enxergar a beleza de uma flor.
É preciso muito mais que apenas olhinhos inocentes, para ver enxergar a beleza das pétalas... e é preciso, um inferno de bondade, para arrancá-la com dedos estáticos e enfeitar a cara da pessoa querida... ora? Os corpos fedem quando morrem, para que disfarçar o cheiro dos mortos?
Amo-te, amo te por me compreender, ou por ter medo de mim, amo-te pelo teu amoralismo e pelo que chama de boa coisa moral, amo-te por escolher a profundeza ou a superfície, por achar estranho, ou por não pensar em nada, amo-te por ler...e por pouco importar se me amas ou não... não há fuga de si próprio! Amo-te com as burrices do meu português neste ou em qualquer outro que venha parir! Amo-te, não pelo o que és... mas pelo que sou!
Volta,
fica,
vai

foda-se

grita
corra 
morra

deixe a loucura de lado
deixa pra lá
caga e anda
cagando e andando
seguindo a canção

Braços cortados
Silêncio! Silêncio

Volta,
morra
se mata

e nasça de novo

Abra a porta do teu óvulo
ou limpe teu útero

brigue
meta a porrada e apanha

Eu tenho é vontade de dar porrada 
muita porrada

e se possível
tomar porrada na cara

para, adianta, dá um jeito
se foda de tanto pensar
morra  de tanto pensar

"Joãozinho foi na casa de Marieta
ela não estava
O pai não estava
a mãe não estava
onde era casa agora é rua
onde era liberdade
agora é nua

vá cresça
capital agora se acha comuna
e comuna hoje se acha consuma

joãozinho,
cresceu
faz agora o que o patrão manda
faz das mãos os pés
no cafezinho dá uns berros

Joãozinho se esqueceu de Marieta

joãozinho se esqueceu
Mete a porrada dizia sua vó
Mete a porrada
agora

depois, mais tarde
é foda-se,
é cagando e andando
é gaga ficando

depois, na bolsinha
na camisa xadrêz
Depois
o dedo quebra

já era, só tem cara de chumbo."



quarta-feira, 17 de julho de 2013

Hoje meu corpo frágil
Descansa no imaginário
Trouxe-lhe um riso meu bem
E um olhar e um poema
E como saíssem
As coisas dos corpos
Todas elas levitaram
Em fragmentos, a gravidade
agora rompida
engravida sonhos
Rasgando-se e rasgando




sexta-feira, 14 de junho de 2013

O EMPREGO DOS SONHOS E A FELICIDADE

Não venho de uma classe social privilegiada com acesso á informação, cultura, educação e saúde. Não possuo, e nem me norteio por um emprego dos sonhos, que a maioria, certamente em algum ponto da sua existência visualizou ou visualizará.
Para meus irmãos, para meus conhecidos, para o lugar que vivi o emprego dos sonhos não é o de escriturário do Banco do Brasil ou alto posto nas  forças armadas, na verdade o amargo sonho é de não ter quem indique a uma vaga na Petrobrás, por pensarem que o petróleo irá tirar o Brasil da miséria, da fome, e incluirá o Brasil no rol dos países desenvolvidos, e que poderia fazê-los ascenderem á uma classe social, uma ascensão que não se concretizou, e que eu nunca acreditei que se concretizaria.
Hoje, vejo-nos como esquecidos da humanidade, altamente dependentes de uma máquina burocrática falida, todas as minhas raízes sucumbidas a fios ópticos magnéticos, ao um ciberespaço virtualmente ilimitado, mais que em parte, do uso que lhes é feito, podemos medir o cumprimento da parede, através de um bate-papo qualquer, nos intervalos, ou no show de um artista popular.
Entretanto, não me vejo como utopista, como um louco, por não sonhar o emprego dos sonhos, por que o meu emprego dos sonhos, faz com que outros mil vivam num pesadelo sem fim, por que emprego dos sonhos não é um sonho, é uma mentira, sonhar em ser um consumidor potencial não me traz a felicidade, e a felicidade, ela só pode ser construída coletivamente, de uma fraternidade entre os indivíduos, enxergando suas próprias deficiências sociais. A felicidade individual é uma anestesia, existem os que se sentem realizados, e realizaram mais do que outros, no entanto, que indivíduo pode se dizer mais feliz que o outro?
Desta forma, o que me norteia, é a possibilidade de um dia ter condições de participar socialmente além de fios ópticos magnéticos, pois simplesmente, a máquina tecnocrática me impossibilita de estar presente como muitos outros. De participar pela sociedade, por que apesar de toda a dificuldade de sorver um ínfimo de informação e de cultura, pude perceber que todos os indivíduos são fundamentais, e que a participação e atuação social de todos, é o que torna um lugar, um mundo, uma casa melhor para vivermos. Sei que começo me fazer valer de outros dispositivos, que tem como base, o voto, é claro, sei que começo a me libertar de temores e repressões ideológicas.
Por que a máquina de gerar temor impossibilita a mim e aos meus irmãos de participarmos socialmente, de nos sentirmos políticos, e não somente a quem elegemos como representantes de políticos, serem os políticos de fato; Uma subjetiva máquina nos induz a acreditar que não há apenas um olho que tudo vê, mas também uma pistola escondida, apontada para nossas cabeças.
Assim, não podemos ser felizes diante de toda uma repressão física e mental, que se perpetua por todas as classes, seja no anúncio da TV no ônibus, seja na impossibilidade de se discutir politicamente no lugar que vivemos.